terça-feira, 19 de abril de 2011
QUEM É QUE SEGURA O MICROFONE DESSA MATÉRIA QUE VOCÊ JÁ VIU?
A cada semestre, centenas de jornalistas se formam no País. Mesmo sabendo das dificuldades para conseguir uma vaga no mercado de trabalho, da má remuneração (o salário inicial médio é de R$900,00) e da rotina estressante a que serão submetidos, esses jovens – com algumas exceções − escolheram o jornalismo por vocação, procuraram cursar uma boa faculdade, aprender idiomas e se especializar.
No último vestibular, a relação candidato vaga para Jornalismo da UFF foi de 23,73; na UERJ, 26,28; e para Comunicação Social, na UFRJ, 21,35. Segundo artigo de Carlos Castilho, publicado no site Observatório da Imprensa, em 2005 cerca de 60% dos jornalistas formados em universidades latino-americanas, após receber o diploma, enfrentavam o desemprego ou iam trabalhar em outras atividades. Aí o Supremo Tribunal Federal determinou, em 2009, o fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Mas a decisão não é definitiva. O Senado deve votar, nos próximos meses, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que restitui a necessidade do diploma para quem quer trabalhar como jornalista.
Enquanto isso não acontece, é preciso lembrar que, por enquanto, só o diploma caiu. A regulamentação profissional ainda deve ser registrada, previamente, no Ministério do Trabalho e Emprego. Quanto às normas e convenções coletivas, elas permanecem e precisam ser respeitadas.
REPÓRTER P OR UMA NINHARIA? REPORTAGEM QUE CONFUNDE MELÃO COM MELANCIA
Algumas emissoras de TV aberta “esqueceram” desses detalhes e, como o diploma caiu, aproveitaram para derrubar também, por tabela, parte dos funcionários especializados. Telespectadores, amigos, mulheres frutas, modelos, ex-BBBs, ex-Fazendeiros, ex-dançarinos, ex-jogadores de futebol e candidatos a celebridades estão atuando como repórteres. Ou seja, as emissoras encontraram uma forma legal de ter mão de obra ainda mais baratinha. O jornalista, pelo sindicato da categoria, tem um piso mínimo. O estagiário também está protegido por uma rigorosa legislação trabalhista. Mas o “desformado”, essa nova profissão, pode ganhar qualquer ninharia.
