terça-feira, 16 de novembro de 2010

Lembrar-se de agradecer o apoio dos aliados é uma atividade de fundamental importância

É preciso sempre agradecer os apoios recebidos durante a campanha.

Este é o tipo de compromisso que vai sendo deixado para depois e que acaba não sendo cumprido. É um erro tanto no caso do candidato que perdeu a eleição como no caso daquele que a venceu.

Tudo conspira para que o compromisso não seja cumprido. É o comitê de campanha que foi desativado, os registros com nomes que foram arquivados e não se sabe onde estão, a secretária que sabe de tudo, mas que saiu de férias e tantos outros argumentos reais que complicam a execução de uma tarefa que devia ser simples.

Muitos acreditam que o agradecimento geral que fizeram após a divulgação dos resultados, na sua entrevista ou declaração, é mais que suficiente. Não é.

Este agradecimento integra o protocolo do pronunciamento e não possui aquele traço de pessoalidade que ligou o candidato ao seu apoiador durante a campanha. O candidato que perde a eleição, frustrado e insatisfeito, tem poucos incentivos psicológicos para pensar nos que o apoiaram. Ele está demasiado ocupado em pensar em si mesmo, na sua derrota, nos seus problemas e no seu futuro, para pensar nos outros. Às voltas com dívidas de campanha, com problemas legais, com a tarefa de finalizar sua contabilidade, resta-lhe muito pouca disposição para executar este último gesto de candidato.

Agradecer apoios equivale a reconstituir, de alguma forma, a experiência de campanha, em relação à qual, no curto prazo, ele desenvolveu uma marcada resistência. Não obstante, todas estas compreensíveis razões, ele deve fazer os agradecimentos pessoais, e o mais breve possível.

O candidato derrotado não pode esquecer que seus apoiadores e auxiliares também se sentem derrotados, também se sentem frustrados e insatisfeitos, e que, como ele, gostariam de receber algum conforto e algum reconhecimento. Ocorre que, no caso dos auxiliares e apoiadores, este conforto e reconhecimento somente pode vir dele.

Eles precisam saber que seu trabalho foi apreciado, seu empenho valorizado, e que o candidato, mesmo perdendo, se sente em dívida para com eles. Eles também precisam entender que na política nenhuma vitória é definitiva assim como nenhuma derrota. Apesar do esforço adicional exigido, num momento difícil, faça o seu agradecimento. A própria menção de que no seu momento mais difícil você lembrou deles e foi capaz de reconhecer o trabalho que fizeram e agradecer-lhes criará um vínculo emocional de solidariedade e admiração que sobreviverá à derrota.



Por carta, telefone, ou pessoalmente aproveite para agradecer os apoios recebidos.

Por carta, telefone, ou pessoalmente, conforme o caso, não deixe pois de agradecer seus auxiliares, seus assessores, seus cabos eleitorais e apoiadores. Eles estarão ao seu lado na próxima eleição.

Já o candidato que vence a eleição tem outras razões para protelar o agradecimento, e, em muitos casos, deixar de fazê-lo. São os inúmeros compromissos que decorrem da eleição: a montagem da equipe, a demanda da imprensa, audiências solicitadas por políticos, viagens, reuniões de preparação do novo governo (executivo), os estudos que deve fazer, discursos que tem que preparar e pronunciar etc. Apesar de tudo, ele deve também fazer seu agradecimento pessoal.

Candidatos eleitos para postos executivos costumam pensar que os agradecimentos genéricos, feitos nas várias entrevistas dadas à mídia, são suficientes. Repito que não são. Os eleitores que foram contatados pessoalmente para a campanha precisam ser novamente procurados para receber o agradecimento do vitorioso.

A reação do eleitor que trabalhou pelo candidato, e que não viu seu trabalho reconhecido, é sempre a mesma: "Bom, agora que ele está eleito com os nossos votos não precisa mais de nós, e se esqueceu de nós". Este sentimento não lhe retira o mandato, mas firma uma reputação de interesseiro, ingrato, salto alto e antipático, que seguramente lhe será prejudicial numa próxima eleição.

Candidatos ao Legislativo, vitoriosos na eleição, não tendo a mesma carga de compromissos que o candidato vitorioso ao Executivo possui, realizam esta tarefa de agradecimento com mais facilidade e disposição. É comum que a primeira tarefa do legislador eleito seja a de visitar seus redutos para agradecer o apoio e para consolidar sua posição política.

Quem não pensou em fazer isto, que o faça. Por mais razões que você possua, na condição de vencedor ou de derrotado, não deixe de agradecer aqueles que o apoiaram. É uma tarefa necessária, simples, justa, simpática e politicamente benéfica.


Por Fernando Ferraz