Gustavo Müller
É muito comum alguns governantes cometerem o erro de
acreditar que propostas com qualificação técnica substituem a política. Em
outras palavras, muitas vezes os governantes acreditam que propostas elaboradas
por uma equipe técnica altamente qualificada são inquestionáveis, tanto por
parte dos eleitores como, e principalmente, por parte dos opositores.
Esse erro não possui uma data certa para acontecer. Ele pode ocorrer
tanto durante o período da instalação de um novo governo, como no decurso de um
mandato ou durante uma campanha eleitoral, e suas consequências podem ser
desastrosas.
Antes de tudo, é preciso ressaltar que a técnica não é algo dispensável
aos administradores públicos, muito ao contrário, em tempos de escassez
orçamentária, a técnica de diagnóstico e de gestão das receitas públicas é algo
indispensável.
O equilíbrio das contas públicas entrou para o vocabulário e o cotidiano
dos governantes com a estabilização da moeda. Antes de isso acontecer, o
governo federal simplesmente emitia moeda para cobrir os gastos da União, dos
estados e dos municípios. Colocando mais moeda em circulação, os consumidores
ficam com mais dinheiro no bolso, podendo comprar mais produtos do que a
indústria é capaz de produzir. Consequentemente, quando a procura por produtos
é maior que a oferta, os preços sobem, alimentando a inflação.
