Por
Carlos Newton
Ao ler diariamente os jornais,
qualquer um pode perceber que a presidente Dilma Rousseff deve estar com um
algum problema que afeta seu raciocínio. Na verdade, já faz tempo que ela
mostra dificuldades para se expressar com clareza, e a internet está infestada
de vídeos dos seus pronunciamentos de improviso, nos quais ela se atrapalha
toda e não consegue se expressar com a clareza que seria de se esperar.
Esta semana, essa estranha situação
atingiu o ápice, quando Dilma Rousseff inaugurou os primeiros 20% das
instalações do Hospital Estadual dos Lagos, em Saquarema, no Estado do Rio de
Janeiro.
Em seu discurso, a presidente disse que o novo hospital
será exemplo de atendimento de alto nível aos brasileiros. “A parte bastante cara é a manutenção e o governo federal a dará
todos os anos para esse hospital de referência e de alta qualidade. Pois é
inadmissível que o povo não tenha nível de saúde da mais alta qualidade e essa
atenção como a daqui”, disse ela, toda atrapalhada, como
sempre.
A declaração causa estupor, porque
ela se comporta como se não fosse responsável pelo baixo nível do atendimento
médico oferecido à população pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Seu partido, o
PT, está no poder 1º de janeiro de 2003 e todos os brasileiros sabem que o
serviço de saúde público não melhorou em nada nestes 11 anos e meio. Pelo
contrário, há evidências de que está até piorando, e a presidente se comporta
como se não tivesse nada a ver com isso.
CADA VEZ MENOS LEITOS
Em setembro de 2012, o Conselho
Federal de Medicina denunciou que o número de leitos hospitalares no Brasil
sofreu uma redução de 10,5% entre 2005 e 2012. Levantamento feito com base nos
dados apurados junto ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde
(controle mantido pelo Ministério da Saúde) mostrou que, em sete anos, houve
uma redução de 41.713 leitos hospitalares no SUS. O estado mais prejudicado
pela queda foi Mato Grosso do Sul, com uma perda de 26,6% dos leitos.
Mais recentemente, o Conselho
Federal de Medicina fez novo levantamento, também com base em dados do
Ministério da Saúde, e revelou que entre janeiro de 2010 e julho de 2013 quase
13 mil leitos do SUS foram desativados, em pleno governo Dilma Rousseff.
E agora é a própria presidente da
República que vem a público dizer ser inadmissível que o povo não tenha uma
assistência médica de alta qualidade. Ora, todos concordam com essa declaração.
O que espanta é que a chefe do governo parece não entender que a culpa pelo
baixo nível do atendimento é justamente dela, pois sua responsabilidade é intransferível.
É preocupante constatar que a
presidente Dilma não esteja compreendendo essa situação. Tudo indica que desta
vez é ela está precisando de atendimento médico. Mas é claro que não ira se
tratar no SUS. No Brasil, políticos e autoridades são uma coisa (a elite
branca) e o povo é outra coisa (a ralé).
