terça-feira, 16 de agosto de 2011

Ninguém serve, ao mesmo tempo, às suas paixões e aos seus interesses

Um político deve sempre cuidar das reações emocionais e improvisadas. Lembre-se que uma declaração infeliz, por exemplo, poderá ser explorada pelos adversários pelo resto da sua carreira política.

Não se faz política sem paixão nem se conquista o poder com ações comandadas pela paixão. Estas duas afirmações são igualmente verdadeiras e se constituem em clássicas advertências feitas pelos pensadores políticos desde a mais remota antiguidade. A política, sobretudo a eleição, é, inevitavelmente, passional.
A disputa pelo poder se concentra de maneira intensa no período da campanha eleitoral, é uma corrida pela aprovação do eleitor

O que torna a política um processo passional:

• A disputa pelo poder, concentrada de maneira intensa no breve período da campanha eleitoral
• O desfecho desta disputa, com as bênçãos da vitória ou o amargor da derrota
• A competição acontece numa arena pública, isto é, tanto os lances como o resultado final são do conhecimento de todos os eleitores
• Os valores que estão em jogo, a imagem, a reputação, os sacrifícios pessoais e familiares, as ambições e os investimentos de tempo e recursos já feitos.

O candidato deve tomar consciência desta realidade antes de decidir disputar a eleição, porque, a partir do momento em que começar a competição, viverá um conflito permanente entre seus interesses e seus sentimentos.

Raras serão as oportunidades em que a expressão eloqüente de seus mais íntimos sentimentos será vantajosa para a realização dos seus objetivos políticos. Na imensa maioria dos casos vai prejudicá-los ou até mesmo inviabilizá-los.
O objetivo de uma campanha eleitoral, nunca é demais recordar, por mais óbvio que seja, é a vitória, e não a satisfação de um sentimento pessoal, por mais legítimo e autêntico que seja.

A vitória, por outro lado, é o resultado final de uma estratégia vencedora, concebida e executada com disciplina, inteligência e método.

Estratégia sempre significa a escolha dos meios mais eficientes e dos procedimentos mais adequados para alcançar um objetivo. A campanha, ao executar um plano estratégico, segue um curso de ação que foi fixado racionalmente, ao qual os sentimentos, as emoções e as paixões devem se subordinar.

Isto não significa que numa campanha, ou mesmo na vida política, não há espaço para os sentimentos. E sim que o candidato ou legislador deve ser capaz de avaliar, a cada momento, as conseqüências de ceder às suas paixões em relação aos seus interesses. Por isso, o político deve ter a sua “câmara de compensação de sentimentos”, o grupo mais íntimo do candidato, no interior do qual ele poderá, com toda a liberdade, dar vazão às suas emoções, sejam elas de euforia, de depressão, medo ou raiva.

Para o candidato ou legislador, esta situação de conflito latente entre seus sentimentos e seus interesses pode assumir características pessoalmente dramáticas. O que ele não deve nunca esquecer é que a vitória sempre será o castigo mais duro imposto aos seus adversários.