Esta linha de raciocínio é radical, mas verdadeira. Mesmo por que o segredo é uma informação privilegiada. Mas só enquanto permanecer sob sigilo.
A sentença é radical. Seus termos não admitem concessões ou interpretações. Se é um segredo, a única forma de guardá-lo é calar sobre ele. O que significa não falar a seu respeito e não comentar coisa alguma com ninguém. Um segredo é uma informação privilegiada. Mas só enquanto permanecer sob sigilo. O que caracteriza este dado é que, uma vez conhecido, seus desdobramentos escapam do seu controle. Se um legislador possuir uma informação sigilosa sobre seu adversário, poderá escolher, de acordo com sua conveniência, o momento e a forma de torná-la conhecida. Se a mesma informação deixar de ser confidencial - ainda que para poucos - tanto o momento como a forma de difundí-la não estarão mais ao seu alcance.
Todo setor legislativo trabalha com muitas informações privilegiadas. A maioria delas surge como boatos, indicações imprecisas e não confirmadas. Outras, ainda que procedentes, não possuem importância estratégica suficiente para serem tratadas como algo confidencial. Poucas, muito poucas, se qualificarão como matérias absolutamente sigilosas. Estas - é fundamental que se insista - não dizem respeito, necessariamente, aos adversários.
O segredo queima por dentro. É por isso que a pessoa que o detém fica sujeita a uma forte tentação de compartilhá-lo com alguém de sua absoluta confiança. É humano, é compreensível, mas também é verdade que aquela pessoa tão confiável também tem outra em quem confia muito. E assim sucessivamente.
Muita cautela com quem sempre tem uma informação confidencial
Durante o mandato, há pessoas que são "especializadas" em segredos. Todo dia têm uma informação sigilosa que ninguém mais conhece. Cuidado com elas. Na maioria das vezes, estas informações são boatos, intrigas ou aleivosias, que não se sustentam. Segredo - não é demais repetir - é uma informação privilegiada. Assim, precisa ser comprovada factual ou documentalmente. Tratar um boato ou uma intriga como informação verídica implica abalar severamente a credibilidade de quem assim procede.
Por Francisco Ferraz


