Aquele que busca o poder deve respeitar regras não formais de “prudência e sabedoria política”
Não se trata aqui das leis formalmente editadas pelo sistema político de um país, que regulamentam a ação política, as atribuições e responsabilidades dos órgãos de governo e de representação. Estas dizem respeito ao aspecto jurídico-formal da política. Correspondem à institucionalização do processo político e como tais são necessárias, importantes e respeitáveis.
As leis do poder correspondem àquela parte do “iceberg” da política que fica submersa.
São respeitáveis e respeitadas porque há todo um aparato jurídico-administrativo que se encarrega de assegurar o seu acatamento. Mais ainda, delas depende a legitimidade do poder, a civilidade das relações políticas e a estabilidade social.
As leis do poder que vamos apresentar nesta coluna, aquelas que você, como um político que busca o poder, não deve nunca se atrever a desrespeitar, correspondem àquela parte do “iceberg” da política que fica submersa. São leis não formais de “prudência e sabedoria política”.
• Seu foco é o comportamento real das pessoas e não o ideal, ditado por regras morais, sociais e culturais
• Seu objetivo é rigoroso e exclusivo – a conquista, o exercício e a manutenção do poder - sem compromisso com qualquer valor ou finalidade “não política”
• O indivíduo goza de total liberdade para seguir suas regras, nada, nem ninguém o obriga
• Sua sanção se manifesta no resultado – favorável para quem as segue, desfavorável para quem as ignora.
Essas regras caminham no sentido das leis da natureza: universais, atemporais e logicamente necessárias. Se encontram nos escritos de pensadores, estadistas, militares, cortesãos, artistas, estrategistas.
Cezar, Sun Tzu, Gracian, Bernard Shaw, Maquiavel, Napoleão, Bismark, Talleyrand, Richelieu, Clausewitz, Lao Tse, Ibn Khaldun, Guicciardini, Castiglione, Churchill, Mazarin, são alguns dos principais formuladores destas leis. Estes nomes foram escolhidos para ilustrar a grande variedade de épocas, países, culturas e ocupações profissionais que as produziu.
São escritos que cobrem um período de 3 milênios e que provêm tanto do Ocidente como do Oriente. Não obstante, as enormes diferenças de épocas históricas e de sociedades, eles guardam uma notável coerência entre si, a constituir um verdadeiro corpo de conhecimentos, em torno de um mesmo objeto de estudo, observação e prática.
A excepcional longevidade e surpreendente universalidade deste “corpo de conhecimentos” permitiu a sua validação ao longo da história política.
Não é por outra razão que seus formuladores recorrem com tanta freqüência a exemplos históricos que confirmam seus princípios, regras e postulados. Os exemplos históricos que usam para confirmar a validade dos princípios que postulam são ilustres, fartamente conhecidos e memoráveis: o Velho Testamento, episódios da história dos grandes impérios como o Egípcio, o Chinês, o Persa, o Romano, o Papado, a Itália dos Sforza, Médici e Borgia, a arte da guerra, a vida de reis e príncipes, os conflitos religiosos, as revoluções, as sedições e golpes políticos, até às obras literárias irreverentes, às reflexões “realistas” sobre os homens, a política e o governo.
O Império Egípcio é um exemplo histórico usado para confirmar a validade dos princípios das leis do poder.
As Leis do Poder partem de uma premissa muito simples: “Certas ações, praticadas em observância àquelas leis, resultam em maior poder para quem as pratica; enquanto outras, praticadas em conflito com aquelas leis, resultam em perda de poder e até mesmo em ruína política”.
Finalmente, resta acrescentar que estas leis são práticas. Elas consistem num conhecimento prático, aplicável a qualquer situação onde a problemática da política – conquistar e manter o poder – se faça presente.
Consistem em conselhos, advertências e orientações para aqueles que se dispõem a participar da política real, assumindo seus riscos e custos, diferentemente daquela outra política, da oratória balofa, da submissão ao “politicamente correto” e da retórica das intenções.
É para os primeiros que este corpo de conhecimentos foi criado. Por isto é um conhecimento prático, amparado em uma fartura de exemplos e medido por resultados visíveis. Os conselhos e advertências que as leis incorporam não devem ser entendidos como “meros conselhos e meras advertências”. São muito mais. São regras de sobrevivência e avisos do que funciona e do que não funciona. Em uma palavra, são leis. Há um preço a pagar por desrespeitá-las, e o poder é a moeda com que se paga.

