segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

PACTO PELA COMPETÊNCIA: O BRASIL DE AMANHÃ É O TRABALHO REALIZADO HOJE


Jornalistas sabem o significado além da pauta: não deixe para amanhã aquilo que você poderia – e deveria – ter escrito ontem. Em tempos de redes sociais, então, nem se fale... Em tempos de noticiários sem jornalistas, ou jornalistas sem diplomas, nossa, nem se fale mais ainda. Ver a hora passar enquanto o texto, o comunicado, a reportagem fica para trás na balada do jornalista que pensa ser capaz de, nessa travessia, recuperar o tempo que foi perdido com outras tarefas, seja voluntária ou involuntariamente, é o mesmo que chorar pelo leite derramado. Não somente porque o que esse cara tinha para dizer já poderá ter sido dito e “redito” ao infinito, mas também porque, para falar a verdade, mesmo, na atualidade, a maioria dos leitores, ouvintes, telespectadores, receptores de veículos de imprensa está “cagando e andando” pra valer diante do grande volume de “coisas” que flutua por aí sob o formato de noticiário.

O povo está errado? (Vamos chamar de povo, poeticamente, o conjunto de indivíduos atingidos pelo trabalho da imprensa em qualquer lugar do mundo.) Andar, todo mundo tem de andar. Cagar, todo mundo tem de cagar. Levar a imprensa a sério, dar crédito para jornalistas, refletir sobre fatos em notícias... Exato, nem todo mundo tem de levar, tem de dar, tem de refletir, tem de fazer qualquer coisa que não queira fazer. Mas por que o povo não quereria fazer um pacto com a imprensa para melhor refletir a própria realidade? Por que a voz do povo é, por onipresença e onipotência, a voz de Deus, dispensando-se, portanto, as vozes que não comungam nas ideias dos seus povoados? Ora, vá lá que o povo unido jamais será vencido, mas nenhum povo é assim tão tolo para não escrever estúpido de acreditar que, quando fala, é Deus quem fala, aquele que também parece estar “cagando e andando” para a imprensa, principalmente no Brasil. Nessa reza, quais seriam, afinal, os verdadeiros motivos da atual falta de atração – eu diria mútua – entre o povo e a imprensa?

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