sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A POLÍTICA E EU


Por Mariana Kotscho

Sou uma pessoa absolutamente chata nas minhas convicções políticas. Depois dos 40 anos tomei a decisão de simplesmente não discutir sobre política. Primeiro porque não quero convencer ninguém a pensar como eu...e, depois, porque não quero que ninguém me convença a pensar diferente. Fiquei radical. Descobri que sobre política só é legal conversar com quem pensa igual, a conversa flui, é agradável.
Minha formação política começou na infância, com meus pais. Nem tinha 10 anos e me levaram pra ver o filme Jango. Naquela noite, no jantar em restaurante paulistano, o papo era sobre ditadura. As pessoas da mesa ao lado até vieram cumprimentar meus pais "pelo alto nível da conversa".
Depois a gente ia visitar em São Bernardo do Campo um amigo barbudo do meu pai. Eu era criança e ele brincava comigo dizendo que não tinha o dedo mindinho porque tinha tocado muito piano e havia gasto o dedo. Eles falavam muito em melhorar a vida das pessoas pobres, em lutar por direitos dos trabalhadores. Eu adorava ficar no canto da sala ouvindo as conversas.
Ah, sim, e eu vivia em reuniões e eleições do sindicato dos jornalistas. Na escola, era vista por muitos como "a mala da esquerda que fica brigando pelo grêmio estudantil".
Votei para presidente pela primeira vez aos 16 anos. Era também a primeira vez que meus pais votavam para presidente. Meu pai tinha 41, a idade que tenho hoje. Foi emocionante, embora nosso candidato tenha perdido em 89.
Aos 18 anos, já fazendo jornalismo, entrei no SBT e desde então não saí mais da televisão. Virei jornalista e minha formação política foi se moldando ao entrevistar presidentes da República (Collor, FHC, Lula - sim, peguei esses 3 quando era repórter de rua), outros políticos e, principalmente, ao percorrer os cantinhos deste país. Conhecer o povo mesmo, sua realidade e suas histórias. Vida de jornalista nos dá este privilégio: o de conhecer a vida de perto. Entrar na favela, conversar com os moradores, ir pro sertão e ver a seca. E falar com empresários, artistas, empregadas domésticas. Sempre com o mesmo respeito. Sempre tendo algo a aprender. 

Jornalista é eleitor e tem suas convicções, claro. Mas jornalista correto tem ética. Até porque uma coisa é ter opinião e outra é fazer manipulação. Engraçado que alguns jornalistas (?) maldosos já misturaram meu sobrenome com política. Mas os próprios políticos nunca fizeram isso. Quando repórter da Globonews (ao todo foram 12 anos de TV Globo), era recebida por FHC na casa dele para as entrevistas. Celso Pitta dizia que gostava de me dar entrevistas porque "embora fosse dura com ele, o tratava com respeito". Mário Covas me recebia sempre sorridente no Palácio dos Bandeirantes - com direito a furos de reportagem. José Serra, quando me vê, faz questão de dizer que me conheceu criança, assim como o Suplicy. E Geraldo Alckmin elogiou recentemente em público, em evento no HC/SP, o trabalho que venho fazendo há 5 anos com Roberta Manreza no Programa Papo de Mãe, na TV Brasil.

Então é isso. Acho que dá pra ser correto sem misturar as estações. Não encaro política como guerra. E acho que no fim, o que todos queremos, é sempre um país cada vez melhor.

Já que não faço política e sim jornalismo, não faço propaganda política, só propaganda do meu trabalho! Fica portanto a dica: Em breve, no papo de mãe, vamos falar sobre a relação dos nossos filhos com a política do país. Porque você pode até não gostar dos políticos que estão por aí. Mas se interessar pela política faz parte do papel do cidadão - inclusive pra tentar mudar o que não está bom. No ar dia 7 de setembro, TV Brasil, 15h30. Porque no papo de mãe tem de tudo. Menos papo furado!!!!