Articuladores
políticos das campanhas de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) reconhecem
que, neste primeiro momento, qualquer análise estará embaçada pelo impacto dos
acontecimentos dos últimos dias. Todos apostam que as primeiras pesquisas de
intenção de voto tendem a apontar um crescimento de Marina Silva (PSB), podendo, até mesmo,
arrancar pontos percentuais das candidaturas melhor colocadas.
Mas a
grande aposta é que, de fato, Marina cresça na faixa dos eleitores ainda
indecisos, beneficiada pela superexposição da chapa do PSB. Dois fatores tornam
ainda mais imprevisíveis os próximos dias. O primeiro é que, tradicionalmente,
30% dos eleitores são anti-PT, o que dificulta o discurso de Dilma. E nestas
eleições, diferentemente de outras, é maior o número de pessoas indecisas.
Em
disputas anteriores, em meados de agosto, a quantidade de eleitores indecisos
era de 12%. Atualmente, esse percentual é quase o dobro: 20%. “Estamos no campo
da imponderabilidade”, resumiu um estrategista dilmista. Para ele, a campanha
estava praticamente cristalizada, com Dilma liderando com percentuais entre 38%
e 41%, Aécio entre 19% e 21% e Campos com 7% a 11%.
A dúvida
é o quanto Marina elevará esse percentual de votos ao PSB. Em 2010, ela obteve
19% dos votos válidos no fim do primeiro turno. “Mas Dilma não era conhecida e
José Serra fazia uma campanha ‘suja’ que afasta o eleitorado”, disse um
petista. “Hoje, Aécio é um candidato simpático ao eleitorado e Dilma é a
presidente, o que pode derrubar a margem de crescimento de Marina”, apostou
outro dilmista. Na campanha tucana, a aposta é que a entrada de Marina Silva no
lugar de Eduardo, especialmente embalada pelo componente emocional, reforça a
possibilidade de segundo turno.
