Francisco Ferraz
Na política, a percepção é mais importante que a realidade. Na verdade,
na política, a percepção é a realidade. Este processo não é exclusivo do mundo
político. De maneira geral, qualquer matéria que seja remota da nossa vida
pessoal, das nossas experiências, tende a ser avaliada e julgada mais por
percepções do que pela realidade.
Por isso, nas matérias relativas à
vida pessoal, as pessoas têm um conhecimento de "primeira
mão", sabem. Já nas matérias remotas da experiência individual, têm
opiniões, "acham que....".
Como a política lida com o coletivo,
com aquilo que se refere à sociedade, a possibilidade de um indivíduo comum
chegar a adquirir um conhecimento preciso da realidade política é muito
pequena. A percepção adquire, então, na política, uma posição de absoluta
centralidade.
Os indivíduos tendem a julgar e fazer
suas escolhas pelo que percebem, o que não corresponde, necessariamente, à
verdade e à realidade. Por isso os pensadores que estudaram a política pelo
ângulo da realidade de sua prática e não pelo plano dos desejos, dos ideais e
da imaginação, sempre aconselharam: "Seja, mas também pareça".
