O vexame histórico da seleção brasileira em
campo na Copa acendeu um sinal de alerta no governo Dilma Rousseff. O Planalto
teme que o mau humor decorrente da derrota para a Alemanha contamine
expectativas já não muito favoráveis na economia e tenha reflexos na campanha
eleitoral.
Em entrevista para a rede de TV norte-americana CNN na ultima quarta (09), Dilma disse que “nem em seu pior pesadelo” imaginava o resultado de 7x1.
Em entrevista para a rede de TV norte-americana CNN na ultima quarta (09), Dilma disse que “nem em seu pior pesadelo” imaginava o resultado de 7x1.
Economistas, empresários e representantes de
entidades do comércio e da indústria não arriscam “chutar” quanto a eliminação
da seleção pode impactar negativamente na economia. Mas todos são unânimes em
dizer que “o cartão amarelo”, sinal de alerta para o crescimento do país, já
foi mostrado em campo –e há meses– ao Brasil.
“A
saída do torneio pode causar certo desânimo no curto prazo. Como o consumo
depende dessa expectativa de como será o futuro, o consumidor deve adiar, de
forma pontual, a decisão de comprar itens, principalmente de maior valor”,
afirma Fabio Pina, economista da Fecomercio-SP, federação que reúne o comércio
paulista.
Se
a saída do Brasil da Copa do Mundo pode ter um impacto negativo na confiança e
no otimismo dos consumidores, por outro lado pode afetar positivamente o setor
produtivo, que volta ao ritmo de produção normal, segundo avaliação do
economista e professor da PUC-Rio, José Marcio Camargo.
“A
Copa tirou o foco nos problemas econômicos e políticos. O governo ficou um mês
em estado de graça e isso criou um clima de otimismo”, disse o cientista
político da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Fernando Antônio
Farias de Azevedo, lembrando a leve recuperação de Dilma na última pesquisa
Datafolha.
No
entanto, em sua avaliação, para o bem ou para o mal, tratava-se de um “efeito
passageiro”. Ele lembra da memória das últimas cinco eleições, que provaria não
haver “qualquer conexão” entre o resultado do Brasil na Copa e o das urnas.
Para
o cientista político Roberto Romano, da Unicamp, os problemas como a crise
econômica e o retorno dos índices de inflação independem do resultado da Copa.
E estes, sim, podem interferir no debate eleitoral deste ano.
Estratégia
Receio. A eliminação do Brasil na Copa, em casa, reacendeu no governo federal o receio da volta dos protestos de rua.
Tática. Após a derrota, o Planalto assumiu rapidamente o discurso do governo como organizador do evento, para tentar se descolar da campanha do time de Felipão.
Ajuda. Outro caminho é deixar para o PT a tarefa de rebater a oposição nas críticas contra a Copa.
Final. Apesar da derrota, Dilma vai estar no Maracanã para entregar a taça ao campeão da Copa.
Obras. Nessa quarta, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) pediu investigação dos gastos do governo com a Copa, mas descartou uma CPI, por ser ano eleitoral.
